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sábado, 16 de junho de 2012

"Um capricho que entoa nos versos da toada..."




Roque Cid, o primeiro

A gênese do Boi-Bumbá Caprichoso começa no início do século XX com a vinda de um nordestino chamado Roque Cid, natural de Crato (CE). Ele migrou, como muitos que vieram para o norte do país, atraídos pelas ofertas e melhores condições de vida e de trabalho nos seringais da Amazônia. Ao chegar, deparou-se com outra realidade, os seringais estavam em fase decadente. No entanto, foi em Parintins que Roque Cid decidiu ficar e fundar, em 1913, uma brincadeira onde a figura principal era um boi de pano chamado Caprichoso.
Essa diversão corporificou uma herança cultural muito forte do nordeste que se entrelaça com a cultura local, acrescentando elementos do cotidiano do caboclo amazonense.
Esse conhecimento, por conseguinte, se integra aos contos lendários e míticos da criação do imaginário e se mistura com realidade, harmonizando e assumindo uma identidade peculiar, a do parintinense. Além do boi-bumbá, Roque Cid organizava o Cordão dos Marujos, manifestação de cunho religioso, trazido do nordeste, que deu origem ao nome da percurssão do boi Caprichoso, a famosa Marujada de Guerra.
O nordestino, também, era conhecido como Mestre Roque, por ter como ofício a profissão de pedreiro. Relatos descrevem que muitas construções do bairro São Benedito foram por ele executadas. Alto e magro, era um homem singular, com sotaque característico do sertão nordestino.
Em sua residência, no tradicional bairro do Esconde, ocorriam os ensaios para o dia da grande festa em homenagem aos santos juninos, em especial São João, tendo o seu filho Feliz Cid como o principal Amo do Boi. Esses festejos uniam o religioso e o profano, entoando ladainhas e rezas, oferta de comidas e finalizavam com a morte simbólica do Boi, que prometia voltar no próximo ano, com a seguinte ressalva: “Se Deus quiser”.
Outra figura muito expressiva na história do boi Caprichoso foi Luiz Gonzaga, cuja residência, na rua Rio Branco serviu de curral no qual por muito tempo ensaiou o boi Caprichoso. Com a mesma importância histórica se encontra José Furtado Belém, João Nossa, Lauro Silva, Didi Vieira, Zeca Xibelão, Luizinho Pereira, Acinelcio Vieira, Ednelza Cid, Odnéia Andrade, dentre outros.
Para todos os torcedores o criador do Boi Caprichoso é Roque Cid, pois ele legitimou e consolidou relações que se entrelaçam em um sentimento de amor, paixão, disputa e rivalidade.
* Aldaci Castro - Historiadora

Símbolo



Caprichoso é o boi-bumbá que defende as cores azul e branco. Seu símbolo é a estrela azul, a qual ostenta em sua testa. É o Guardião da Floresta, do folclore parintinense, do imaginário caboclo e do lendário dos povos indígenas. O nome, Caprichoso, teria um significado intrínseco a ele, isto é, pessoas cheias de capricho, trabalho e honestidade. O sufixo “oso”, significando provido ou cheio de glória. Quando somados, “capricho” mais “oso”, poder-se-ia dizer que é extravagante e primoroso em sua arte. Para compreender o surgimento do Caprichoso e do folclore de Parintins, ler a obra "A verdadeira História do festival de Parintins" de Raimundinho Dutra, versador tradicional deste bumbá, oriundo de uma família tradicional do boi azul. O local de realização dos festejos particulares, chamado de curral, é chamado de Curral Zeca Xibelão, uma homenagem ao primeiro tuxaua do boi - bumbá Caprichoso, falecido em 1988, que se localiza na parte considerada como Azul da cidade. Quem separa os lados de cada bumbá é a Catedral de Nossa Senhora do Carmo.


Vitórias
Suas vitórias aconteceram nos anos: 1969, 1972, 1974, 1976, 1977, 1979, 1985, 1987, 1990, 1992, 1994, 1995, 1998, 2000 (empate), 2003, 2007, 2008 e  2010. Atualmente conta com 19 vitórias, 9 a menos do que o rival, Garantido.

Fonte

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